20 agosto 2013

A verdade que camisetas cor-de-laranja e um caderno velho e rabiscado podem trazer.



Ontem à tarde escrevi em uma folha velha do meu caderno. Estava amassada e suas bordas estavam rabiscadas em tentativas inúteis de fazer a caneta voltar a funcionar. Escrevi: ''Eu sou uma idiota'' com raiva, em letras grandes. Peguei uma outra folha. ''Tenho que parar de pensar demais''. Mais outra, e desta vez milhares de palavras fluíram. Raiva. Dúvidas. Sentimentos. Sensações. Lembranças. Egoísmo. Estava escuro e eu não conseguia ver mais nada. Tudo que eu mais queria naquele momento era gritar até que me faltassem voz e lágrimas. E eu simplesmente escrevi, joguei aquele estúpido caderno na parede, sentei no chão e chorei como não chorava fazia meses, fazia anos, não me importava mais. Eu só queria chorar.
Passei um dia inteiro escrevendo naquele caderno inútil. A verdade é que eu não possuía nada além dele. Perdi a noção do tempo. Perdi meu sono. Coloquei um moletom velho sobre a camiseta do uniforme. Aliás, eu odeio aquela camiseta cor-de-laranja. Eu odeio aquele prédio, odeio aquele pátio vazio. O vazio me sufoca. O vazio me prende. Não me lembro de ter andado e nem mesmo de ter subido aquelas escadas. Aliás, eu as odeio também. Odeio aqueles pisos de concreto e aquelas malditas paredes verdes. Odeio todo esse ódio sem razão e, ao mesmo tempo, com mais razão do que tudo ultimamente parece ter, dentro de mim. Só me lembro de ver você. Diferente. Novo. Estranho. Eu vejo você todos os dias e não o reconheci naquele momento. Algo tomou conta de mim. Eu estava... sorrindo. Eu sorri. De verdade. E não acreditei que aquilo pudesse estar acontecendo. E então seu cheiro. Seu calor. Seu abraço. Você. Eu. Um ''nós'' que eu pensei que nunca chegaria. Todos. Tudo. Tudo aquilo parecia certo. Todo o ódio esvaiu-se em segundos e eu sorri por uma simples presença. A sua presença.
Você estendeu as mãos e eu aceitei.
Você estendeu as mãos.
Você me salvou.
Não tive de pensar duas, três, quatro vezes. Não pensei nenhuma. Eu simplesmente aceitei. Eu queria. Estava certo. Era. Foi. E seria. Sempre. Pela primeira vez o ''sempre'' não me parecia um ''e se...'', não me parecia um ''talvez''. O ''sempre'' me parecia o certo. Sempre. O caderno. O passado. As lágrimas. A camiseta cor-de-laranja. A raiva. As lembranças que nunca voltariam. Você.
Tudo estava certo.
Sempre.

09 agosto 2013

Carta clichê, melosa e ligeiramente pedofílica procura um destinatário que goste de dinossauros.



É sempre este maldito medo do que pode dar errado. Sou composta por milhares de defeitos. Em cada pedaço meu há uma falha, eu sou completamente errada e isso não é difícil de se perceber. Os dias passam e tudo vai tornando-se mais complicado. E aquela sensação estúpida de que há algo de errado continua sempre me acompanhando. Vontade de gritar, vontade de dizer o que penso, de arrancar as máscaras, de parar de chorar compulsivamente pela mínima coisa. Talvez eu só queira achar o alguém que irá me fazer sorrir de novo. Alguém que me faça chorar de tanto rir, alguém que eu tenha vontade de bater, de morder, abraçar, ter, ser de. Alguém que eu ame um pouquinho mais todos os dias. Alguém que segure a minha mão e não a solte mais. Que me leve consigo sempre, seja em pensamentos ou em presença. Que esteja aqui. Agora. Sempre. Alguém que acabe com a dor.

Não sei, alguém que consiga mudar tudo isso. Alguém que me mude. Alguém que faça eu ser quem eu sou. Alguém que eu ame. É tudo tão difícil. Tudo tão embaralhado. Não acho respostas, não acho caminhos. Eu só queria uma luz. Eu só queria alguém que me fizesse enxergar. Talvez eu nunca a encontre. Talvez ela esteja bem ao meu lado. Ou quem sabe, talvez, eu a encontre amanhã. Ou depois. Daqui a alguns dias, semanas, meses, anos, vidas.

Ouvir Miles Away no carro, seu carro, meu carro, viajando sem rumo, com rumo, indo de encontro ao verdadeiro destino ou talvez a mais uma tentativa, frustada mas não a última. Dar um ao outro apelidos idiotas, chamar um ao outro de idiota. Brigar por algo estúpido e no segundo seguinte, esquecer tudo e acabarmos abraçados. Rir de mim com um velho macacão jeans, pintando a parede da cozinha, desastrada como sempre. E gostar da parede branca toda manchada de preto. Rir novamente quando eu pedir para pregar milhares de quadros pela nossa casa. Me abraçar quando eu estiver chorando após terminar um livro, me abraçar quando eu pedir e sem pedir também. Me aturar falando de decoração, de webdesign, de DIYs que nunca abrirei mão da preguiça para fazer. Aturar minhas manias estúpidas, principalmente a minha de sair colocando dinossauros em tudo. Ver Star Wars e Donnie Darko comigo. Cuidar de mim após um dos meus surtos. Não se mover quando eu dormir no seu colo, por mais que você esteja desconfortável. Me aguentar. Me amar.

Não sei. Realmente não sei.
Talvez amanhã. Talvez depois. Talvez nunca.
Me fazer esquecer de meus medos.
Me fazer pensar, todos os dias ao olhar para você, que tudo valeu a pena.

01 agosto 2013

A vida não espera você se recompor.


Me desculpem a demora para postar novamente, eu disse que não seria com tanta frequência e a escola está mesmo acabando comigo. Estou cheia de trabalhos, deveres e as provas vão começar daqui a 2 semanas. Não esqueci de vocês, pessoal! Acho que perceberam a mais nova atualização do blog. 

Este é meu novo projeto para a vida. 
Realizar meus sonhos, por mais que eles pareçam impossíveis. Fazer o que der na telha, me arriscar. Não ficar pensando no que pode dar errado, não, chega disso. Preciso confiar em minhas próprias escolhas sem me arrepender de nenhuma delas, e quando chegar ao meu destino, olhar para a trilha que segui e pensar confiante, comigo mesma: ''Eu consegui.'' Aproveitar a beleza das coisas pequenas, das coisas grandes, de tudo de de todos. Aproveitar as pessoas, as coisas, os sentimentos que me fazem bem, enquanto eles estão aqui. Chega de ''e se, e se...''. Chega de esperar por incertas esperanças. A vida não espera você se recompor. 

Admito que fiquei encarando a tela do computador por uma hora inteira, sem saber o que fazer. Talvez duas horas, talvez até mesmo três. Tanta confusão. Tantas incertezas. A mesma música repetia milhares e milhares de vezes, o chocolate quente intacto ao lado de um amontoado de papéis. Eu desenhava, eu escrevia. Eu sonhava e sonhava cada vez mais alto. Eu pensava e pensava no que estava prestes a fazer. Dane-se, pensei. Vamos logo fazer isso. Não sinto mais. Não sofro mais. Não me importo mais.

Eu não falo mais.
Perdi a conta de quantos dias fazem desde a última vez em que falei com alguém. Me tranquei num profundo silêncio, aceitei que ninguém merecia saber de meus problemas e sofri sozinha com eles. Sofri por minutos, por horas, por dias. E nem mesmo o sofrimento me vem mais. Cansada de tudo isso.

E me abro com o meu blog. Com completos estranhos. E é tão mais fácil. Não terei que suportar olhares me avaliando todos os dias. Não terei de ouvir as vozes tornando-se sussurros, pessoas que acham que não estou as ouvindo. Eu consigo dizer o que penso. Mesmo estando confuso, mesmo ninguém entendendo do que falo, penso, escrevo. Ninguém, nem mesmo eu. E então, eu corro para longe até que não me sobre mais nada.

Nada.
Já nem sei quantos ''recomeços'' tentei construir, mas esse poderá dar certo. E se não der, recomeçarei de novo. De novo, e de novo, e de novo. Quantas vezes precisar, mesmo que minha vida inteira seja composta apenas por recomeços. De novo, e de novo, e de novo.

Sejam bem-vindos ao The Fashion Wonderland - Into The Wild.