09 agosto 2013

Carta clichê, melosa e ligeiramente pedofílica procura um destinatário que goste de dinossauros.



É sempre este maldito medo do que pode dar errado. Sou composta por milhares de defeitos. Em cada pedaço meu há uma falha, eu sou completamente errada e isso não é difícil de se perceber. Os dias passam e tudo vai tornando-se mais complicado. E aquela sensação estúpida de que há algo de errado continua sempre me acompanhando. Vontade de gritar, vontade de dizer o que penso, de arrancar as máscaras, de parar de chorar compulsivamente pela mínima coisa. Talvez eu só queira achar o alguém que irá me fazer sorrir de novo. Alguém que me faça chorar de tanto rir, alguém que eu tenha vontade de bater, de morder, abraçar, ter, ser de. Alguém que eu ame um pouquinho mais todos os dias. Alguém que segure a minha mão e não a solte mais. Que me leve consigo sempre, seja em pensamentos ou em presença. Que esteja aqui. Agora. Sempre. Alguém que acabe com a dor.

Não sei, alguém que consiga mudar tudo isso. Alguém que me mude. Alguém que faça eu ser quem eu sou. Alguém que eu ame. É tudo tão difícil. Tudo tão embaralhado. Não acho respostas, não acho caminhos. Eu só queria uma luz. Eu só queria alguém que me fizesse enxergar. Talvez eu nunca a encontre. Talvez ela esteja bem ao meu lado. Ou quem sabe, talvez, eu a encontre amanhã. Ou depois. Daqui a alguns dias, semanas, meses, anos, vidas.

Ouvir Miles Away no carro, seu carro, meu carro, viajando sem rumo, com rumo, indo de encontro ao verdadeiro destino ou talvez a mais uma tentativa, frustada mas não a última. Dar um ao outro apelidos idiotas, chamar um ao outro de idiota. Brigar por algo estúpido e no segundo seguinte, esquecer tudo e acabarmos abraçados. Rir de mim com um velho macacão jeans, pintando a parede da cozinha, desastrada como sempre. E gostar da parede branca toda manchada de preto. Rir novamente quando eu pedir para pregar milhares de quadros pela nossa casa. Me abraçar quando eu estiver chorando após terminar um livro, me abraçar quando eu pedir e sem pedir também. Me aturar falando de decoração, de webdesign, de DIYs que nunca abrirei mão da preguiça para fazer. Aturar minhas manias estúpidas, principalmente a minha de sair colocando dinossauros em tudo. Ver Star Wars e Donnie Darko comigo. Cuidar de mim após um dos meus surtos. Não se mover quando eu dormir no seu colo, por mais que você esteja desconfortável. Me aguentar. Me amar.

Não sei. Realmente não sei.
Talvez amanhã. Talvez depois. Talvez nunca.
Me fazer esquecer de meus medos.
Me fazer pensar, todos os dias ao olhar para você, que tudo valeu a pena.

2 comentários:

sarah medeiros disse...

simplesmente perfeito <3

Jhonny Jackson disse...

nuss, seguindo, nunca vi alguém me descrever assim, vc deveria ter um tumblr